frase marco2017

Contraceção quando estás no estrangeiro

Quais as preocupações?

pessoa à espera do metro

Há uns tempos fui a Londres com uma amiga minha. Ela ia fazer um estágio profissional em terras de Sua Majestade e eu fui ajudá-la com a mudança, na verdade não só com a mudança…

 

Estava tudo a correr bem por lá – tirando o frio – quando ela se lembrou que não tinha levado a pílula. Do alto do meu pragmatismo lancei um – então mas há uma farmácia na esquina! – e lá fomos nós com a tranquilidade de quem não está numa realidade assim tão distante da portuguesa. Na verdade, até este dia, nunca tinha pensado na contraceção quando estamos fora do nosso país.

Quando chegamos à farmácia e tentamos, no nosso inglês de turista, pedir a pílula que a minha amiga usava, percebemos que não tinham aquela marca específica. Nem o nosso inglês, nem a pouca paciência da farmacêutica nos permitiram perceber se era uma situação isolada ou se, de facto, não comercializavam aquela marca em Inglaterra. Resolvemos “googlar”, afinal de contas, este motor de busca é o médico dos tempos modernos. Lá encontramos a dita pílula algures num site inglês. Se aquilo era uma clara evidência que estávamos perto de resolver a situação? Não era! Mas deu-nos alento para irmos até à próxima farmácia ali do bairro.

À segunda é de vez! Na verdade, é à terceira, mas eu estava confiante que íamos conseguir solucionar a questão, afinal não fazemos todos parte de uma aldeia global?! Este conceito também tem de se aplicar nas questões práticas do dia a dia. Acreditava eu…

Quando chegamos à segunda farmácia e pedimos, novamente, a pílula da minha amiga, percebemos que afinal ela não existia só no nosso país. E quando já estávamos a dar a questão por resolvida, a farmacêutica, um pouco mais sorridente que a anterior, pergunta “Do you have the prescription?” – Como assim “the prescription”?! A minha amiga esqueceu-se da pílula e acha que ela se ia lembrar de trazer a receita médica?! – mandei para o ar com a tranquilidade de quem sabe que ninguém ia entender a minha ironia.

A verdade é que acabamos por desistir. A minha amiga não estava disposta a procurar um “GP” – nome que eles dão aos médicos de clínica geral – ou clínicas de contraceção. Ela tinha pouco tempo e receio que pudesse ser bem mais caro do que ela costumava pagar cá. No final, ela resolveu pedir ao namorado, que chegava dentro de dias, um carregamento gigante de pílulas.

Antes de regressar, acabei por aconselhá-la a procurar um médico para ver alternativas a um método contracetivo que não a condicionasse tanto, principalmente nesta altura em que ela ia estar longe do país e precisava de evitar preocupações e gastos extra. Com o SIU que é o método de contraceção de longa duração que eu uso, ela teria, pelo menos, 3 anos para se preocupar com tudo menos com a contraceção! 😊

Chuack Chuack,
Rita
#descomplica

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Referências bibliográficas:
https://www.netdoctor.co.uk/ask-the-expert/sex-faqs/a27296/can-i-get-my-pill-from-the-pharmacy/
https://www.nhs.uk/conditions/contraception/combined-contraceptive-pill/#where-you-can-get-the-combined-pill